Essa é uma das perguntas que vale milhões!
Muitas pessoas se perguntam isso em situações diferentes ao longo da vida. Eu já me perguntei isso. Imagino que você também.
O pior não é a pergunta, mas as respostas que às vezes encontramos dentro de nós ou em fontes externas, confiáveis ou não. Claro que, quanto menos confiável a fonte, mais bobagem escutamos.
Então decidi escrever esse texto, baseado no livro “Me abraça forte” da dra. Sue Johnson, uma fonte confiável que cita outras fontes igualmente confiáveis, para trazer uma visão científica, clara e desdramatizada sobre o que é o amor.
Sue afirma que o amor é o mecanismo de sobrevivência mais persuasivo da espécie humana, pois todos somos biologicamente moldados para nos vincular a outras pessoas visando garantir nossa sobrevivência. Imagine você, recém-nascido, e sem um adulto que te cuidasse e suprisse suas necessidades físicas básicas. Seria impossível chegar vivo à idade adulta, certo?
Quando somos ainda bebês e recebemos cuidados, cria-se nesse momento um vínculo muito forte entre bebê e cuidador. Nosso código genético “nos leva a estabelecer vínculos emocionais com algumas pessoas valiosas que nos oferecem refúgio seguro diante das tempestades da vida”. O amor é, então, um mecanismo biológico projetado para fornecer proteção emocional capaz de nos ajudar a lidar com os altos e baixos da vida humana.
Ou seja, quando amamos e somos amados, estamos fornecendo e recebendo o básico para nossa sobrevivência, que é o estabelecimento de conexões seguras com pessoas com as quais podemos compartilhar momentos prazerosos e receber apoio em momentos difíceis. A segurança emocional é a base sobre a qual nós exploramos o mundo. Nós conseguimos nos desenvolver plenamente e superar a contento os desafios da vida quando vivenciamos apegos seguros. Ressalto que nesse texto o termo “apego seguro” é sinônimo de “conexão ou vínculo seguro”.
Como disse a dra. Sue: “Esse impulso de nos apegarmos emocionalmente está programado em nosso corpo, em nossos genes. É tão básico para a vida, a saúde e a felicidade quanto os impulsos de buscar comida, abrigo ou sexo. Precisamos de apegos emocionais com algumas pessoas insubstituíveis para nossa saúde física e mental – para a nossa sobrevivência.”
Resumindo, o amor é esse vínculo seguro que construímos com pessoas muito especiais da nossa vida. É claro que nossas relações com essas pessoas podem passar por momentos de altos e baixos. Quem nunca, sem a intenção, magoou uma pessoa amada? Quem nunca foi magoado, intencionalmente ou não, por uma pessoa amada? Errar é humano, completamente normal, e inevitável a qualquer pessoa. Errar faz parte do aprendizado humano. Amar não é ser perfeito e acertar sempre com quem amamos, é saber encontrar o caminho de reconexão emocional quando necessário.
Espero que esse texto tenha te ajudado um pouco mais a compreender o que é o amor. Meu objetivo aqui não foi dar uma resposta final e encerrar o assunto, mas abrir uma fonte a mais de reflexão na sua vida.
Ainda vou escrever muito sobre esse tema. Caso você queira dialogar comigo sobre as reflexões que esse texto te gerou, ou fazer sugestões de temas a abordar, terei prazer em responder seus comentários!
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Sugestão de leitura:
Johnson, Sue. Me abraça forte – como usar a terapia focada nas emoções para resgatar, manter ou aprofundar seu relacionamento. Rio de Janeiro: Sextante, 2023.


Parabéns pelo texto, sempre vemos respostas “prontas ” sobre o amor, tipo ninguém vive sem amor! Mas na verdade é muito mais amplo e na mesma hora tão simples, básico…”Pois ninguém sobrevive sem amor”, como se precisámos dele como se fosse um alimento, pois ele nutre nosso corpo e nossa alma. E se por acaso ele não estiver suprindo essas necessidades básicas, já temos a “força”, que é sua essência, para reconstruí-lo dentro de nós e assim continuar a viver.
Sim, Gra! O amor é complexo e simples ao mesmo tempo. O que mais gosto nessa forma de ver o que é amor é a percepção de que precisamos sim uns dos outros. Temos visto os problemas de saúde mental aumentarem bastante nas últimas décadas, principalmente desde que as redes sociais começaram a “substituir” os contados sociais reais e as pessoas se tornaram mais “independentes”.
Muito bem escrito e de fácil compreensão! Parabéns! Importante refletir sobre o amor em tempos de amores líquidos! Tentamos a todo custo fugir do vínculo, juntamente pela falta de segurança que estamos encontrando ao nos conectarmos com as pessoas. No entanto, tá aí a resposta… não temos muito como fugir e essa nova realidade tem trazido mais angústia, ansiedade e sofrimento do que liberdade e satisfação! Vamos dialogar sim!!
Uau, Ju! É isso mesmo que tem acontecido de uns tempos pra cá. A era do amor líquido tem trazido muita insegurança para as relações. Afinal de contas, é de fato muito difícil para alguém construir um vínculo seguro se há dúvidas de quanto o outro está presente emocionalmente ou não na relação. Grata por ter trazido esse ponto a mais para reflexão 🤗