A importância da família na construção da nossa vida emocional

A emoção está no centro das relações familiares. Você já tinha se dado conta disso? Vem comigo que eu te explico!

Os vínculos emocionais que estabelecemos com nossos familiares e a confiança que temos na segurança desses vínculos compõem os alicerces da nossa família e são fontes de resiliência para cada um.  Ou seja, se eu tenho bom vínculo emocional com meus familiares e confio que posso contar com eles quando precisar, tenho mais coragem para enfrentar os dilemas e dificuldades da vida. A recíproca também é verdadeira: quanto mais os meus familiares confiam no nosso vínculo emocional e se sentem seguros, mais coragem eles têm para enfrentar suas dificuldades.

Assim, as emoções são a música que dão o tom do que significa pertencer e o que significa ser uma família.

Lar é muito mais do que um lugar, é um estado emocional e experiência de pertencimento. Não é à toa que em várias músicas e filmes românticos, quando uma pessoa se declara a outra, ouvimos: “lar é onde você está”. Lar é um ponto de origem para cada um de nós, que fornece orientação durante nosso desenvolvimento e supre a necessidade humana básica de pertencer. O senso de pertencimento, de acordo com John Bowlby, o “pai” da teoria do apego, é fundamental para o nosso bem-estar ao longo de toda a nossa vida. Entretanto, o lar e sua segurança emocional não são garantidos.

Infelizmente, nossa sociedade está fundada numa base emociofóbica e adultocêntrica. O que isso significa? Significa que raramente recebemos educação e corregulação emocional, que deveria nos ser provida durante a infância e adolescência pelos adultos responsáveis. Esse é um dos fatores importantes para nos tornarmos adultos capazes de autorregular nossas emoções.

Mas não é isso que acontece, porque os adultos que deveriam ajudar suas crianças também lutam com suas próprias emoções, também não receberam de seus pais a corregulação emocional. Esses adultos, ao se tornarem pais, muitas das vezes não sabem nem como regular as próprias emoções, o que dirá ajudar sua criança!

O adultocentrismo é a característica de sociedades que esperam e cobram que as crianças sejam seres obedientes, calmos, quietos e serenos para que não atrapalhem a vida dos adultos. Isso é totalmente contrário à realidade, já que crianças são seres em pleno desenvolvimento cerebral, corporal, emocional etc., ou seja, não nascem prontas e precisam da presença orientadora e afetuosa de seus responsáveis.

Quando o adultocentrismo é somado à emociofobia, temos então gerações inteiras de pessoas sendo criadas com a crença de que as emoções são ruins, só existem para nos atrapalhar e devem ser “dominadas” para que sejamos pessoas admiradas e bem-sucedidas. (Ah, como eu odeio essa frase!)

As diferentes fases do desenvolvimento humano, os desafios da vida cotidiana e as crises inesperadas exigem que as famílias aprendam a navegar mares desconhecidos e, às vezes, assustadores. É importante que as famílias consigam criar e manter equilíbrio emocional e um funcionamento coerente para ser capaz de, ao enfrentar os desafios da vida, promover não só o pertencimento, mas também o vir a ser.

Você consegue perceber a seriedade desse assunto?!

Pais e filhos tornam-se resilientes quando vivenciam a confiança nos vínculos, mesmo que essas relações mudem com o tempo. Enfrentar estas mudanças e outros desafios da vida exige que as famílias procurem continuamente formas de investir e se envolver nas conexões vitais que afirmam os laços familiares. As famílias que lutam para manter estas conexões ou que não têm oportunidade e capacidade para manter estes vínculos caem em sofrimento psicológico e de relacionamento.

Por sorte, existem formas de reparar os vínculos emocionais entre os familiares, e a terapia familiar pode ajudar muito nesse processo!

Livro de referência para o texto. Emotionally Focused Family Therapy: Restoring Connection and Promoting Resilience. Autores: James L. Furrow, Gail Palmer, Susan M. Johnson, George Faller, Lisa Palmer-Olsen. Ano: 2019.

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