“A teoria do apego nos ensina que a nossa pessoa amada é nosso abrigo na vida. Quando essa pessoa está emocionalmente indisponível ou impassível, nós nos sentimos desamparados, sozinhos e indefesos. Somos tomados por emoções — irritação, tristeza, dor, e acima de tudo, medo. Isso não chega a ser tão surpreendente quando nos lembramos de que o medo é o nosso sistema de alarme inerente; ele se ativa quando nossa sobrevivência está ameaçada. Perder a conexão com a pessoa amada coloca em risco nosso sentido de segurança. O alarme se desativa na amígdala do cérebro, ou Central do Medo, como o neurocientista Joseph LeDoux, do Center for Neural Science, da Universidade de Nova York, batizou. Essa área do cérebro em forma de uma amêndoa desencadeia uma resposta automática ao medo. Nós não pensamos; nós sentimos, nós agimos.
Todos nós experimentamos algum tipo de medo quando temos desentendimentos ou discussões com a pessoa amada. Mas para aqueles de nós com vínculos seguros, trata-se de uma angústia momentânea. O medo é rápida e facilmente contido quando percebemos que não existe uma ameaça real, e que nosso par vai nos tranquilizar se pedirmos. Mas para aqueles de nós com vínculos mais frágeis ou esgarçados, o medo pode ser opressivo. Nós somos inundados pelo que o neurocientista Jaak Panksepp, da Washington State University, chama de ‘pânico primal’. Então, geralmente fazemos uma de duas coisas: ou nos tornamos impositivos e nos aferramos a um esforço de obter conforto e tranquilização da parte do outro, ou nos retiramos e nos isolamos numa tentativa de nos acalmar e proteger. Independentemente das palavras exatas, o que estamos realmente expressando com essas reações é: ‘Perceba-me. Fique comigo. Preciso de você’. Ou, ‘Não vou deixar você me magoar. Vou ficar calmo, tentar ficar no controle’.
Essas estratégias de lidar com o medo de perder a conexão são inconscientes, e funcionam, pelo menos no início. Mas quando parceiros angustiados recorrem a elas com frequência, elas geram espirais de incerteza que apenas os fazem ficar cada vez mais distantes. E então mais e mais episódios ocorrem, em que nenhum dos parceiros se sente seguro, ambos se tornam defensivos, e cada um fica supondo o pior a respeito do outro e da relação.
Se nós amamos os nossos pares, por que simplesmente não ouvimos os chamamentos de cada um por atenção e conexão, e reagimos com carinho? Porque na maior parte do tempo não estamos em sintonia com eles. Estamos distraídos e absorvidos com a nossa própria agenda. Não sabemos como falar a linguagem do apego, não emitimos mensagens claras sobre as nossas necessidades ou o quanto nos importamos. Muitas vezes falamos hesitantemente, porque nos sentimos ambivalentes sobre as nossas necessidades. Ou emitimos chamamentos para conexão com um quê de irritação e frustração, porque não nos sentimos confiantes e seguros em nossos relacionamentos. Acabamos exigindo, e não pedindo, o que com frequência leva a brigas pelo poder, e não a abraços. Alguns de nós tentam minimizar nosso anseio natural de estarmos emocionalmente ligados, e em vez disso, focamos em ações que dão apenas uma expressão limitada de nossa necessidade. O mais comum: focando o sexo. Mensagens camufladas e distorcidas impedem que demonstremos todos os nossos anseios, mas também tornam difícil para nossos amados responderem.”
Trecho retirado do livro:
Johnson, Sue. Abrace-me apertado: sete conversas para um amor duradouro. São Paulo: Jardim dos Livros, 2012, p.31 e 32 (versão PDF).

