1º passo: Leia esse texto.
2º passo: Faça algumas respirações profundas.
3º passo: Desculpa, eu gostaria muito de poder te ajudar em apenas 5 passos, mas não existe fórmula fácil e simples para fazermos as pazes com as nossas emoções… Mas continua aqui comigo e vamos refletir juntos sobre a função das nossas emoções e sobre porquê elas são MUITO importantes para nossa saúde mental!
Para nos ajudar a fazer essas reflexões, eu trouxe um trecho do livro “Agilidade emocional”, de Susan David.
“Ao lado da importância de rotular com precisão nossas emoções está a promessa de que, uma vez que atribuímos um nome a elas, nossos sentimentos podem oferecer informações úteis. Eles sinalizam recompensas e perigos. Apontam na direção da nossa dor. Também podem nos dizer em quais situações devemos nos envolver e quais devemos evitar. Eles podem servir de orientação, em vez de serem obstáculos, ajudando-nos a identificar aquilo que mais apreciamos e motivando-nos a fazer mudanças positivas”.
Logo nesse primeiro parágrafo podemos avaliar a importância das emoções como bússolas internas, indicando caminhos a trilhar e caminhos a evitar. Se as emoções não existissem, seríamos parecidos às IA’s (inteligências artificiais), guiando nossas ações pelos algoritmos e probabilidades. Ou seja, sem as emoções nos tornamos praticamente robôs.
Susan também compartilhou um pouco da sua experiência pessoal:
“Tenho clientes no mundo inteiro, de modo que viajo muito. Quando viajo, frequentemente dou comigo em alguma variação do mesmo cenário: estou em um agradável quarto de hotel com uma bela vista, jantar servido no quarto e um sentimento furtivo que eu rotulo de ‘culpa’. Eu me sinto culpada por não estar com meus filhos, Noah e Sophie. Eu me sinto culpada pelo fato de Anthony, meu marido, estar em casa sem mim. Não é um sentimento reconfortante, mas ele ressurge repetidamente”.
“Eu antes ficava enredada em velhas histórias: não sou uma boa mãe; abandono as pessoas que eu amo. No entanto, aprendi com o tempo a olhar de frente, não apenas ao identificar o sentimento como culpa, como também ao perceber como esse sentimento pode ser útil. Compreendi que minha culpa pode me ajudar a definir minhas prioridades e, às vezes, reorganizar minhas ações. Afinal de contas, não sentimos culpa por coisas com as quais não os importamos”.
Uma das maneiras de lidarmos melhor com nossas emoções é fazendo a leitura da mensagem implícita que elas tentam nos passar. Precisamos aprender a ouvir nosso corpo. Sim, as emoções fazem parte do nosso corpo e se manifestam por meio dele! A autora Susan fez exatamente isso: permitiu que a emoção estivesse ali (ao invés de rapidamente tentar livrar-se dela), nomeou-a e ouviu a mensagem implícita que ela trazia.
“Uma boa pergunta a fazer a si mesmo quando estiver tentando aprender com suas emoções é: ‘Qual é a função?’. Perguntar ‘qual é a função?’ é uma maneira abreviada de perguntar ‘qual é o propósito dessa emoção? O que ela está lhe dizendo? O que você entende com ela? O que está enterrado debaixo dessa tristeza, frustração ou alegria?’”.
“A culpa que sinto quando estou viajando sinaliza para mim que sinto falta dos meus filhos e valorizo minha família. Ela me faz lembrar de que minha vida está seguindo na direção certa quando estou passando mais tempo com eles. Minha culpa é como uma flecha luminosa apontando para as pessoas que eu amo e a vida que desejo levar”.
Viu só como as emoções podem se tornar nossas grandes aliadas?
Vejamos agora um exemplo que Susan dá para entendermos como a raiva tenta nos ajudar:
“Da mesma forma, a raiva pode ser um indício de que alguma coisa importante para você está sob ameaça. Você já ficou zangado com um colega por ele criticar uma das suas ideias na frente do seu chefe? À primeira vista, essa raiva poderia parecer, bem, apenas raiva. Mas, bem no fundo, também pode ser um sinal de que o trabalho em equipe é algo que você valoriza muito, ou de que você se sente menos seguro no emprego do que imaginava. Não é divertido sentir raiva, mas a conscientização que ela proporciona pode ser canalizada para medidas dinâmicas. Pode ser uma flecha luminosa apontando na direção de mudanças positivas como arrumar um novo emprego ou marcar uma hora com seu chefe para uma reavaliação de desempenho.”
Nesse ponto do texto, fica cada vez mais explícito o quanto precisamos fazer as pazes com as nossas emoções. O que chamamos de sentimentos negativos ou emoções negativas são simplesmente manifestações naturais do nosso corpo sinalizando que estamos ultrapassando nossos limites, ou que estamos deixando de dar atenção para o que realmente nos é importante , por exemplo.
“Nossos sentimentos negativos podem nos ensinar valiosas lições quando paramos de nos esforçar para eliminá-los ou para sufocá-los com afirmações positivas ou racionalizações. A insegurança e a autocrítica, até mesmo a raiva e o arrependimento, irradiam luz nesses lugares escuros, sombrios, às vezes assombrados por demônios, os lugares que você mais deseja ignorar, que são lugares de vulnerabilidade ou fraqueza. Encarar esses sentimentos pode ajudá-lo a antever as armadilhas e desenvolver estratégias mais eficazes de enfrentar os momentos decisivos”.
Tão logo decodificamos as mensagens que as emoções trazem consigo, nos tornamos mais aptos a enfrentar as dificuldades da vida. Sei que falar é fácil e fazer costuma ser mais difícil, mas é totalmente factível.
“Se você conseguir confrontar seus sentimentos internos com as suas opções externas – enquanto mantém a distinção entre eles – você terá uma chance muito maior de ter um dia favorável, além é claro de uma vida mais significativa. Você tomará decisões importantes à luz do contexto mais amplo possível. Isso requer a sinceridade e a integridade de incorporar nossas experiências em uma narrativa que é exclusivamente nossa, uma narrativa que nos servirá, ajudando-nos a entender onde estivemos para que possamos enxergar melhor para onde queremos ir”.
Complemento as ideias de Susan e finalizo esse texto dizendo que eu sei o quão assustador pode ser nos disponibilizarmos a ouvir nossas emoções, mas eu já vivenciei momentos assim e posso afirmar que o resultado é muito bom!
Além disso, é importante lembrar que tudo o que nos esforçamos para não ver e não ouvir geralmente se manifesta de maneira muito mais forte, até que sua presença não possa mais ser ignorada. É assim que nascem as “doenças psicossomáticas”.
Dito isso, desejo a você curiosidade e coragem para ouvir e seguir sua bússola interna!
Referência:
David, S. Agilidade emocional: abra sua mente, aceite as mudanças e prospere no trabalho e na vida. São Paulo: Cultrix, 2018, p. 96 a 98.

